O casamento de Isabel de Portugal com Carlos V: as línguas dos contraentes
Pedro Pablo Rubens, copia de Tiziano
Nesta conferência, será analisado o perfil linguístico de dois falantes de espanhol com uma biografia inicialmente alheia ao uso do espanhol como língua materna: Isabel de Portugal (1503-1539), filha do rei Manuel I de Portugal e da infanta Maria de Aragão, e Carlos V (1500-1558), nascido em Gante e criado nos Países Baixos borgonheses.
A competência linguística de Isabel de Portugal e do imperador Carlos V constitui um aspeto fundamental para compreender não só a sua vida pessoal e o seu papel político, mas também a complexa dinâmica cultural da Monarquia Hispânica do século XVI. Ambos os cônjuges encarnavam, a partir de perspetivas distintas, a pluralidade linguística inerente aos territórios europeus que governavam. Os seus repertórios idiomáticos refletem não só a sua origem familiar e educação, mas também as expectativas políticas e diplomáticas próprias de duas figuras situadas no centro de uma monarquia composta.