Volver
Três gerações de mulheres sobrevivem ao vento solano, ao
fogo, à loucura, à superstição e até à morte à base de bondade, mentiras e uma
vitalidade sem limites. Elas são Raimunda (Penélope Cruz), casada com um
operário desempregado e mãe de uma filha adolescente (Yohana Cobo). Sole (Lola
Dueñas), sua irmã, ganha a vida como cabeleireira. E a mãe de ambas, morta em
um incêndio, junto com seu marido (Carmen Maura). Este personagem aparece
primeiro para sua irmã (Chus Lampreave) e depois para Sole, embora com quem
deixou assuntos importantes pendentes tenha sido com Raimunda e com sua vizinha
da vila, Agustina (Blanca Portillo). Volver não é uma comédia surrealista, embora às vezes
pareça. Vivos e mortos convivem sem exageros, provocando situações hilárias ou
de uma emoção intensa e genuína. É um filme sobre a cultura da morte na minha
Mancha natal. Meus conterrâneos a vivem com uma naturalidade admirável. O modo
como os mortos continuam presentes em suas vidas, a riqueza e humanidade de
seus ritos faz com que os mortos nunca morram. “Volver” destrói os estereótipos
da Espanha negra e propõe uma Espanha tão real quanto oposta. Uma Espanha
branca, espontânea, divertida, intrépida, solidária e justa.
