A realização de um clube de leitura em torno de O colóquio dos cães, de Miguel de Cervantes, constitui uma experiência enriquecedora que promove tanto a análise literária quanto o diálogo crítico entre os participantes. Essa atividade se centra na leitura compartilhada da obra, destacando seus elementos narrativos, seu caráter satírico e a profundidade de suas reflexões sobre a sociedade da época.
O colóquio dos cães (título pelo qual é mais conhecida, embora seu título real seja Novela, y coloquio, que pasó entre Cipión y Berganza, perros del Hospital de la Resurrección, que está en la ciudad de Valladolid, fuera de la puerta del Campo, a quien comúnmente llaman “Los perros de Mahudes”) é uma das Novelas exemplares de Miguel de Cervantes.
A obra encena a conversa entre dois cães, chamados Cipión e Berganza, que guardam o mencionado Hospital da Ressurreição de Valladolid, em cujo terreno se encontra hoje a Casa Mantilla. Ao perceberem que adquiriram a capacidade de falar durante as noites, Berganza decide contar a Cipión suas experiências com diferentes donos, percorrendo lugares como Sevilha, Montilla (Córdoba) e Granada, até chegar a Valladolid.
Durante o desenvolvimento do clube, os participantes têm a oportunidade de explorar temas como a moral, a corrupção e a condição humana por meio da conversa entre Cipión e Berganza, protagonistas do relato. Além disso, promove-se a interpretação coletiva do texto, permitindo contrastar diferentes perspectivas e enriquecer a compreensão da obra.
O espaço do clube de leitura configura-se como um ambiente participativo e reflexivo, onde cada intervenção agrega valor à análise conjunta. Dessa forma, fortalece-se não apenas o hábito da leitura, mas também a capacidade crítica e a apreciação dos clássicos da literatura espanhola.